terça-feira, 29 de junho de 2021

As transformações sociais e culturais do 3º quartel do séc. XX

 Inovações

Durante este período aparecem muitas inovações a nível tecnológico (exs: o desenvolvimento de computadores, de satélites e naves espaciais).

Corrida espacial

As duas potências começam a corrida espacial para afastar da memória das pessoas o poder destrutivo das armas nucleares e mostrar-lhes que essa mesma tecnologia podia ser utilizada para outros propósitos.

Melhorias das condições de vida

Mecanização da agricultura, êxodo rural, e aumento exponencial dos empregos no setor terciário (que empregava os excedentes da agricultura). Estes novos empregos eram bem pagos, e o nível de vida (fora de Portugal, em especial nos EUA) foi melhorando, de tal forma que as pessoas tinham maior confiança em ter mais filhos, originando o Baby boom. 
Os jovens, fruto deste baby boom, seriam aqueles que iriam originar quase todos os movimentos emergentes desta época.

Movimentos emergentes

Ecumenismo - Concílio Vaticano II

Corrente dentro da Igreja católica que se manifestou mais com o Concílio Vaticano II (concílio pastoral, ou seja, sobre como passar a fé) e as suas consequências; onde se procurava os pontos comuns entre as várias igrejas cristãs e se procuravam aproximar das mesmas.

Movimento pacifista

O movimento pacifista que lutava pelos direitos humanos (ex: igualdade entre negros e brancos).

Movimento Hippie

Movimento hippie/contracultura - movimento que contestava os valores e a cultura tradicional.


Movimento ecologista
Aparecem vários movimentos contra o uso descontrolado dos recursos ambientais e em defesa do ambiente (ex: Greenpeace).

Movimento feminista

As mulheres passam a manifestar-se e a lutar pelos seus direitos (e "direitos") - o direito do voto, de igual oportunidades de empregos e de salários em relação aos homens (e o seu "direito de poder abortar" os seus próprios filhos).

Da Revolução dos Cravos à formação da nova democracia

A origem da Revolução dos Cravos 

Durante a guerra colonial, o governo sentiu necessidade de aumentar exponencialmente o nº de capitães. Para isso acontece, fizeram um decreto em que afirmavam que, a partir daí, estes seriam formados intensivamente em 2 semestres.

Este ato fez com que os outros capitães (que tinham 4 anos de formação) se revoltassem, e procurassem uma maneira de acabar com o regime, pois, segundo eles, a guerra apenas terminaria, quando o regime terminasse. Para pôr esse propósito em prática, estes e outros militares preparam um golpe militar.

Tentam uma primeira vez, a 16 de março de 1974, mas, falham; tentam outra vez a 25 de abril desse mesmo ano e têm sucesso.

Nesse momento, o regime terminou e os órgãos que o suportavam (PIDE, a mocidade portuguesa, o governo do desse mesmo regime...) foram sendo dissolvidos e, muitos dos seus membros castigados (presos ou mandados para o exílio).

Com esta parte do processo terminado, "só" falta a parte de formar uma verdadeira democracia.


As primeiras  medidas de democratizar o país

Em primeiro lugar, foi fundado um governo provisório chefiado por Adelino da Palma Carlos e, sendo o Presidente da República o General Spínola. Este iria redigir as leis que iriam orientar as eleições da Assembleia Constituinte. Para além disso, este incentivou a criação de partidos políticos.

Este exercício da liberdade de associação teve como consequência um grande números de conflitos entre os vários partidos; o que gerou um período que mais se parecia com a 1ª República com os seus múltiplos governos e as manifestações de uns partidos contra os outros. Resumindo, uma grande confusão a nível nacional, de tal forma que se estava à beira de uma guerra civil.

Quase se instaurou um governo comunista em Portugal, mas, com o trabalho conjunto dos tradicionalistas/menos extremistas (centro direita + direita), os comunistas são afastados do poder e o poder do MFA (aqueles que lideraram a revolução) foi diminuído até à esfera militar, exclusivamente.

  Em 1976, é promulgada a Constituição onde são apresentados os vários poderes exercidos pelos vários órgãos políticos, os direitos e deveres dos cidadãos, entre outros pontos (na sua 1ª versão).


A descolonização*

No que toca à descolonização, houve duas variantes: a independência pacífica (no caso de Cabo Verde e da Guiné Bissau) e a independência conturbada (no caso de Angola e de Moçambique).

Nestes últimos casos, a violência deve-se aos vários grupos que desejam formar governo e que lutam entre si. Portugal também teve os seus problemas internos nesta questão pois alguns políticos (ex: General Spínola) não estavam tão de acordo, em relação à declaração da independência das mesmas; mas, eventualmente, reconhece o governo de um desses grupos e a independência dos países (Angola - 11 de novembro de 1975). Mas, após a sua independência, continuaram com uma guerra civil entre os dois grupos.

Estas independências causaram outra consequência - o aumento do desemprego, com as populações retornadas das antigas colónias que também não têm condições para viver decentemente.


A democratização propriamente dita

A Constituição foi revida algumas vezes, de forma a polir os extremos ideológicos, apaziguar os conflitos políticos e estabelecer os órgãos políticos como os conhecemos atualmente.

Para além disso, em 1985 Portugal entra para a CEE, o que ajudou a estabilizar o país (devido às verbas investidas pela mesma).

Com estas medidas, o país consegue um governo estável pela primeira vez (entre 1987 e 1991 o PSD ganha as eleições). E começam a aumentar o investimento estrangeiro e as exportações, o que melhora bastante a situação económica portuguesa, ainda que piore a situação da agricultura e das pescas que, a partir daí tem de competir com o estrangeiro.


*Ver este post onde eu falo da independência de Timor-Leste.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Estado Novo

 Com o insucesso da primeira república, a maioria da população começa a desejar a extinção deste tipo de governo e a instauração de um regime autoritário que restabelecesse a ordem no país.

Os primeiros sinais de que isto estava para acontecer foram as revoluções falhadas que foram ocorrendo por todo o país.

Até que, em 1928, António de Oliveira Salazar torna-se Ministro das Finanças e consegue resolver os problemas financeiros do país.

Este vai a pouco e pouco ganhando mais poder, até que se torna o ditador português do Estado Novo (ditadura do tipo fascista). 

Esta ditadura tinha as seguintes características:

  • Concentração dos poderes legislativo e executivo na pessoa de Salazar;
  • Proibição de todos os partidos políticos, excetuando a União Nacional;
  • Supressão das liberdades individuais (liberdade de expressão, de reunião e o direito à greve);
  • Utilização da propaganda para controlar a sociedade (através da utilização dos meios de comunicação, de cartazes e de manuais escolares únicos);

  • Introdução do corporativismo (submissão dos interesses dos trabalhadores e dos patrões aos interesses do Estado, abolição dos sindicatos livres).


Mesmo que se tenham mantido estas características, houve momentos em que o regime fingiu ser democrático convocando eleições "justas" a que todos os partidos (exceto o partido comunista) podiam concorrer, mas, tendo sempre cláusulas, e leis que os impediam de implementar as suas propostas, para além de manipularem as votações. Tudo isto, para agradar aos países que pressionavam Salazar para tornar o seu regime democrático.
Um exemplo disso foi a candidatura de Humberto Delgado à presidência da república em 1958, no qual as votações foram manipuladas.

Com a sua política de se fechar em si mesmo, Portugal primeiramente recusa a oferta do Plano Marshall mas, como em 1948 a balança comercial volta a estar negativa, este vê-se obrigado a aceitá-lo e a fazer um plano de recuperação do país (pois para um país receber o capital tinha de apresentar um plano de como o ia aplicar).

Muitos tentavam emigrar ilegalmente para outros países onde havia mais demanda por mão de obra pois, as cidades não conseguiram responder ao êxodo rural que ocorreu na década de 60 devido ao desenvolvimento da indústria, sendo que uma grande parte da população vive na miséria. No entanto, a maioria dos que o conseguem fazer também vivia mal, vivendo em bairros de lata.

A partir da década de 60, começa uma reviravolta no país, em que se desenvolve a indústria, se constrói muitos edifícios/infraestruturas (ex: ponte Salazar, posteriormente chamada de ponte 25 de abril), principalmente pelos 3 planos de fomento:
  1. Investimento no desenvolvimento das várias indústrias, em especial, na de siderurgia, de metalomecânica, de petroquímica, de adubos e de celulose; investimento no desenvolvimento das colónias e na melhoria das condições de vida da população através da criação de empregos com as medidas mencionadas anteriormente;
  2. Investimento nas mesmas indústrias mas, procurando abrir-se um pouco ao estrangeiro com a entrada de Portugal na EFTA, através da qual aumentam as exportações nacionais;
         (Plano Intercalar de fomento - implementação de medidas ligadas à habitação, aos transportes, à saúde, à educação e à comunicação; com o objetivo de melhorar as condições de vida das populações.)
       3. Procura de captar capital estrangeiro e investimento na construção de ainda mais infraestruturas, sem descurar as províncias ultramarinas, e aumento das relações comerciais com o estrangeiro, em especial, com a CEE.

Entre 1961 e 1974, Portugal passa pela Guerra Colonial onde as suas colónias com o apoio das duas super-potências (EUA e URSS) lutam pela sua independência, apenas a conseguindo com a queda do Estado Novo.

Este modelo político manteve-se até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, onde se instaurou a democracia.

quinta-feira, 24 de junho de 2021

A 2ª Guerra Mundial

 Tudo começou com as invasões da Alemanha aos países vizinhos (as regiões do Sarre e da Renânia, toda a Áustria e parte da Checoslováquia).



Ao verem isto, as democracias europeias (Reino Unido e França) decidem olhar de lado, e não fazer nenhum ato militar contra a Alemanha, tentando apenas negociar com a mesma através de atos diplomáticos (Conferência de Munique), de forma a evitar um conflito mundial.

Após estas negociações vãs, a Alemanha e a URSS fazem um acordo de não agressão, onde dividiram, secretamente, a Polónia entre si.

 Quando estes verificam que esta não para de anexar cada vez mais territórios à sua "Grande Alemanha" (em especial a Polónia, a qual se alia a estes países), vêm que não têm outra opção senão declarar guerra à Alemanha.


Passado pouco tempo, o Japão também começa a invadir os seus vizinhos (a Coreia e a China) para formar um império.



Como, mais uma vez, os países ocidentais não querem criar uma segunda guerra global, nada fazem para auxiliar os países invadidos.

Enquanto isso, em Espanha começava uma guerra civil entre republicanos e conservadores.

A Alemanha e a Itália, ao verem esta situação, aproveitam para testar  as suas novas armas apoiando um dos lados do conflito.

Quando esta acabou acabaram por vencer os conservadores. 

Voltando ao conflito mundial, os Aliados (França, Reino Unido  e Polónia) tentaram sem sucesso conter o avanço dos alemães, pois em poucas semanas, estes já tinham conquistado a Bélgica, os Países Baixos, a Dinamarca e a Noruega (e, pouco mais tarde, a França). Este insucesso deveu-se à sua inferioridade militar pois estes usavam armas menos desenvolvidas que os alemães. Esta fase da guerra ficou conhecida por guerra-relâmpago.

Após estas conquistas, a Alemanha prepara-se para invadir o Reino Unido, bombardeando as suas principais cidades, de forma a desmoralizar a população e facilitar a execução da mesma. Mas, esta estratégia não funcionou como se esperava pois, o Reino Unido liderado por Winston Churchill, e apoiado pela Família Real que permaneceu em Londres durante os bombardeamentos, reorganiza-se e faz frente aos alemães. 

Depois disto ocorre uma reviravolta na guerra. Esta baseou-se em três acontecimentos:

O primeiro foi a invasão alemã da URSS sua aliada, que, a partir daí,  deixa de o ser.

O segundo foi a invasão japonesa da base americana de Pearl Harbor, trazendo  os EUA para o conflito.

E o terceiro foi a travagem das tropas alemãs em Estalinegrado pelas tropas soviéticas.


A partir deste momento, a tática alemã passa a ser defensiva, em vez de ofensiva.

Em 1943 os Aliados vencem os nazis no Norte de África e, invadem a Itália.

Em 1944, no dia 6 de junho (dia D) estes desembarcam na Normandia, iniciando assim, a libertação da França e o avanço contra a Alemanha, ajudados a leste pela URSS.

As tropas soviéticas chegam a Berlim a 2 de maio e os Aliados  a 4 desse mesmo mês; e a Alemanha rende-se 3 dias depois.

Já a guerra entre os EUA e o Japão demorou bastante mais tempo.

A 6 de agosto de 1945 os americanos lançam a 1a bomba atómica sobre a cidade de Hiroxima, e poucos dias depois, deitam a segunda em Nagasaki.

A 8 de Agosto a URSS declara guerra ao Japão, consequentemente, este rende-se a 14 de agosto, terminando assim a guerra.

terça-feira, 22 de junho de 2021

Período Pós-1ª Guerra Mundial

 Neste post irei abordar vários aspetos deste período (os quais tentarei falar de forma ordenada); que são os seguintes:

  • Novos países emergentes;
  • a criação da Sociedade das Nações (SDN)
  • os "loucos anos 20";
  • o Crash da Bolsa de Nova York;
  • a ascensão do comunismo na Rússia;
  • a ascensão das ditaduras europeias;
  • a humilhação da Alemanha e a ascensão do nazismo.

Países emergentes

Vários países emergem dos antigos impérios (a Austro-Hungria dividiu-se em Checoslováquia, Áustria, Hungria, Jugoslávia; a Polónia consegue a independência da Rússia e da Alemanha (neste caso apenas uma pequena parte lhe pertencia)).




A sociedade das Nações

Outro facto importante deste período foi a fundação da SDN (espécie de protótipo da ONU) que tinha por objetivo evitar guerras, fazendo que os países envolvidos num desacordo discutissem pacificamente as suas diferenças e resolvessem os seus problemas sem derramamento de sangue.


Os "loucos anos 20"

Após a a "Grande Guerra" as populações são assoladas por uma "febre de viver" onde muitos dos valores tradicionais são abandonados (ex: a noção de decência com a subida da altura das saias e o abandono do espartilho, a naturalidade que caracterizava a arte), e outras formas de cultura começam a emergir (o surgimento da música Jazz, da arte abstrata...). Outra mudança que ocorreu foi que a população americana começou a consumir mais, a comprar mais, em parte por causa dos empréstimos que os bancos lhes permitiam fazer, e também pela subida do nível médio de vida e do poder de compra da classe trabalhadora.

O Crash da Bolsa de Nova York

Após a 1ª Guerra Mundial, toda a Europa se encontra devastada. As nações europeias, para recuperarem desta situação, faziam empréstimos aos EUA; pois os seus recursos não eram suficientes. 
Mas, ao mesmo tempo, as fábricas começam a sobre-produzir, e os seu produtos começam a acumular-se devido à falta de procura dos mesmos, de forma que os capitais investidos nas mesmas não retornam aos bancos.
Para além disso, as classes trabalhadoras tinham começado a pedir empréstimos aos bancos para comprarem produtos que estavam para além da sua capacidade de compra. Assim, também estas começam a endividar-se, e a deixar de comprar produtos que estão fora do seu alcance, piorando assim ainda mais a situação.
Por essa razão tanto bancos como fábricas vão à falência e as ações da Bolsa caiem a pique. Como a Europa estava dependente dos EUA esta também sofre as consequências da mesma.


A ascensão do comunismo na Rússia

A Rússia não se saiu bem na 1ª Guerra Mundial (pois não estava preparada adequadamente para a mesma) e a maior parte da população vivia na miséria e não concordava com a participação do país na guerra.
Com toda esta miséria, os partidários dos valores comunistas vêm uma oportunidade para manipular a população fazendo-a pensar que com "a partilha igualitária de todos os bens da nação, com o Estado como regulador dessa igualdade" todos os problemas do país se resolveriam.
Eles foram implementando estas ideias aos poucos, até que Lenine com o seu partido dos Bolcheviques (que mais tarde se tornaria o partido comunista) sobe legitimamente ao poder. Quando isto acontece, este vai acabando com o sistema de governo existente (acabando com a Duma - o parlamento nacional e instaurando "o Congresso dos Sovietes e de toda a Rússia").
Ao verem isto os opositores do governo (burgueses, aristocratas e soldados estrangeiros que apoiam esta causa) começam a combater os mesmos, iniciando uma guerra civil.
A nação ao ver-se nesta situação decide sair da Grande Guerra (tendo para isso de ceder territórios e recursos económicos à Alemanha) de forma a poder tratar da guerra que se desenrolava dentro dela mesma.
Lenine, ao ver-se ameaçado com a possibilidade de uma derrota, instaura a ditadura do proletariado onde o único partido existente é o Partido comunista, todas as indústrias são controladas pelo Estado, e onde todos os opositores do regime são perseguidos.

A ascensão das ditaduras europeias

Com a ascensão do comunismo na Rússia, e o medo das outras nações de serem contaminadas pelas mesmas ideias, os países adotam uma de duas opções: optam por se tornar em países com governos totalitários (Portugal, Itália...), ou tomam medidas drásticas para melhorar as condições de vida da população, de forma a "provar" à mesma que não necessitavam de se transformar num regime totilarista para recuperarem do Crash da Bolsa de Nova York (EUA, Reino Unido).


A humilhação da Alemanha e a ascensão do nazismo

A Alemanha é completamente humilhada com o Tratado de Versalhes com as medidas absurdas* que lhe foram impostas (ex: indemnizações aos países vencedores que equivaliam ao dobro das receitas anuais nacionais).

Estas medidas resultaram numa grande miséria na Alemanha. Esta miséria foi aproveitado pelo partido nazi e por Adolf Hitler para subir ao poder através da retórica.

Este novo regime caracterizava-se pela consideração de que "a raça ariana" era superior a todas as outras e que todos os inferiores deveriam ser eliminados (judeus, ciganos e, "já agora" todos os opositores do mesmo).


*Eu não estou a desculpar os atos da Alemanha, mas sim a dar a minha opinião sobre os "castigos" que lhe foram impostos.

sábado, 19 de junho de 2021

Europa nos séculos XVI - XVIII - parte 2 - Revolução Industrial Inglesa e o mercantilismo europeu

Mercantilismo europeu

Durante este período aparece um novo conceito económico - o mercantilismo. Este consiste em medidas protecionistas que procuravam fomentar medidas que originassem uma balança comercial positiva. Para isso, os governos investem no desenvolvimento da indústria nacional, de forma a tornar o país autossuficiente e providenciar produtos para exportação. Para escoar estes novos produtos são implementados impostos às importações, de forma a dificultar a venda de produtos estrangeiros.

Os governos para desenvolver a indústria criavam companhias para cada uma das áreas de produção (ex: produção de tecidos de algodão) às quais davam privilégios. Estes incluíam a exclusividade de produção de um dado produto (de forma a não haver competição dentro dessa área), o concedimento de títulos de nobreza aos grandes investidores...

Revolução Industrial

 A Revolução Industrial Inglesa foi uma revolução que marcou a História desta nação, e das outras à sua volta.

Esta começou no final do século XVIII com a invenção dos 1ºs engenhos mecânicos destinados a aumentar e acelarar a produção de produtos (ex: fiadora mecânica). Estes ainda não tinham motor, por isso tinham de ser operados por artesãos; os quais aplicavam os seus conhecimentos ao utilizarem os mesmos.

Passado algum tempo, é inventado o motor a vapor. Este é instituído nas indústrias têxtil, metalúrgica e siderúrgica, impulsionando as novas máquinas industriais. Estas, ao contrário dos engenhos anteriores, não necessitam de trabalhadores conhecedores do processo de fabrico de um dado produto - os artesãos, mas apenas de trabalhadores que as vigiem e façam pequenas tarefas - os operários.

Com estas mudanças, as quantidades de produtos produzidas tornam-se exponencialmente maiores que as produzidas anteriormente. Para além disso, com esta quantidade de produtos é possível resolver problemas regionais de subsistência facilmente, enviando tudo o que é necessário para essa zona.

No entanto, existiram várias desvantagens deste acontecimento; a enorme poluição causada pela utilização do motor a vapor propulsionado a carvão, os  operários que passam a viver em condições horríveis e os conhecimentos práticos da profissão de artífice que deixam de ser valorizadas.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Europa nos séculos XVII e XVIII - parte 1

 A população europeia durante este período sofreu uma alteração drástrica.

Mesmo que, inicialmente a taxa de mortalidade continuasse alta devido às guerras*, epidemias (menos graves que as do século XIII) e fomes, as condições foram melhorando através das seguintes medidas:

  •  o maior cuidado com a higiene (utilização mais frequente de sabão, aparecimento de esgotos e água corrente nas cidades mais importantes...), 
  • a melhoria da alimentação com o aumento do consumo de cereais (em especial, com a substituição dos cereais piores pelo trigo), a introdução das colheitas dos tubérculos, de forma a poder alimentar o gado durante o inverno, e possibilitar o comer carne fresca durante todo o ano;
  • a melhoria nos materiais utilizados na construção de casas substituindo a madeira pelos tijolos para as paredes, o colmo por pedra ou ardózia;
  • o desenvolvimento da medicina e da cirurgia;
  • e a maior atenção na destruição do lixo e do enterramento apropriado dos mortos.

Os pontos que irei abordar neste post são:
  • a reforma protestante que origina várias guerras, incluido *"A Guerra dos 30 anos";
  • a coesistência do absolutismo e do parlamentarismo nos vários reinos europeus;
  • e o caso particular português.

Guerras e a "Reforma Protestante"

Com a "reforma protestante" (século XVI) deixa de haver o papel unificante da Igreja Católica, tal como havia nos séculos anteriores, e passa a haver as "guerras religiosas entre católicos e protestantes" em que a paz passa a ser fruto do medo do que a outra nação pode fazer, e não pelo respeito e pela irmandade sentida por se ser da mesma religião católica.

Absolutismo

Durante este período a grande maioria dos reinos está sob o poder de uma monarquia absoluta.
Para chegar a este ponto os reis enriqueceram-se retirando parte dos poderes dos nobres e dando-o aos burgueses.
Estes vivem na opulência para demonstrar o seu poder, e através da sua grande riqueza privada (no caso português, com origem no ouro e diamantes brasileiros) passam a não necessitar de pedir fundos nas Cortes, reinando totalmente sozinhos. 

Governos Parlamentaristas

Em Inglaterra e na Holanda (reinos parcialmente/totalmente protestantes) aparecem governos parlamentaristas em que existe um monarca que detém o poder executivo mas, o poder legislativo encontra-se sob o domínio do Parlamento, sem a aprovação do qual o rei não pode executar nenhuma lei. Já o poder judicial passa a ser detido pelos tribunais, sendo completamente independente dos outros dois poderes.

Caso português

Em Portugal também existe a monarquia absoluta. No entanto, o rei passa a ter funcionários seus por todo o reino sendo que estes controlam o governo a nível local, os tribunais... Com o passar do tempo, estes funcionários começam a ficar mais independentes do rei, originando os organismos de administração da Coroa (exs: Secretarias de Estado do Reino, de Guerra...).

terça-feira, 1 de junho de 2021

Valores, vivências e quotidiano da Europa no século XI -XIV

 Os dois post anteriores sobre este período foram: um sobre a Europa e outro sobre Portugal, em específico.

O de hoje vai ser sobre os valores, as vivências e o quotidiano que se vivia durante este período.

Irei abordar os seguintes temas:

  • as ordens mendicantes e as confrarias que as seguiram;
  • a arte gótica com todas as suas características;
  • as peregrinações e as viagens que se começam a realizar durante este período;
  • e o surgimento das universidades.

As ordens mendicantes

Estas ordens, mais especificamente, a Ordem dos Frades Menores (que depois se tornariam Franciscanos) e a Ordem dos Pregadores (futuramente denominados de Dominicanos), foram fundadas durante o final do século XII e  o início do século XIII por Francisco de Assis e Domingos de Gusmão, respetivamente.

Fig. 1 - Encontro entre São Francisco (à esquerda) e São domingos (à direita).


Durante este período, com o enriquecimento das ordens monásticas (ainda que os monges, em si vivessem a pobreza) e dos bispos e padres diocesanos que viviam na opulência, apareceu duas heresias - os cátaros e os albingenses. Estes acreditavam que haviam dois princípios da Criação, um bom que tinha criado o mundo espiritual, e um mau que tinha criado o mundo material. Desta maneira, eles desprezavam a matéria e desaprovavam todas as ações que estivessem relacionadas com ela (alimentar-se, casar-se, receber os sacramentos...).

Como resposta a estas heresias, apareceram estas duas ordens. A primeira para ir contra a afirmação de que o mundo material é mau (ex: São Francisco ao cantar o Cântico das Criaturas, chama às criaturas suas irmãs, filhas do mesmo Pai Criador), e a segunda para contemplar a verdade através do estudo e da prática das virtudes, para depois pregá-la aos hereges para os converter.

Após o aparecimento destas ordens, começaram a aparecer as confrarias, as quais eram grupos de pessoas que se dedicavam ao auxílio dos mais necessitados e também uns dos outros, vivendo no mesmo espírito das mesmas.


A arte gótica

Com a diminuição do nº de invasões (e consequente aumento dos períodos de paz), o aumento da população durante os séculos XI e XII, e o aumento do poder das cidades; aparece este estilo artístico.

As suas características principais são as seguintes:

  • o arco em ogiva;
  • os múltiplos vitrais coloridos que representavam episódios da bíblia e da vida dos santos;
  • a verticalidade;
  • a sua altura colossal;
  • os arcobotantes e os contrafortes.
Fig. 2 - principais características da arquitetura gótica.


Fig. 3 - Exemplo de vitrais góticos.


Fig. 4 - Exemplo de uma igreja gótica - catedral de Amiens.



As viagens e peregrinações

Durante este período, melhoram as condições para viajar (as estradas, as estalagens, a segurança...).
Mesmo assim, apenas se viajava com um motivo forte (ir em peregrinação, em viagem de negócios/diplomática) pois os perigos e as providências necessárias para fazer uma viagem eram muitos, e não eram para serem levadas de ânimo leve.

Fig. 5 - Catedral de Santiago de Compostela (um dos principais locais de peregrinação deste período)


O surgimento das universidades

Com o desenvolvimento das cidades, e com o desenvolvimento dos aparelhos do estado, os burgueses começam a sentir a necessidade de instruir os seus filhos no funcionamento dos aparelhos do estado, de forma a poderem ascender hierarquicamente, com maior facilidade. 
Para sustentar esta nova procura do ensino pelos leigos, as escolas monásticas e das catedrais que se foram desenvolvendo, e em alguns casos, fundindo-se, e originando as universidades.

Fig. 6 - Universidade de Bolonha (uma das primeiras universidades da Europa)